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Terapia Ocupacional e Inclusão de pessoas com Transtorno Bipolar nas Empresas


O terapeuta ocupacional possui papel fundamental nas empresas, pois possibilita uma relação do trabalhador com seu trabalho onde a saúde e a qualidade de vida são estimuladas e preservadas. Além disso, favorece a inclusão de trabalhadores que, por motivos diversos, estão afastados de seus locais de trabalho.
Nesse processo de inclusão nas empresas, o terapeuta ocupacional lida com clientela variada, como pessoas com transtorno bipolar. Esse público precisa de uma atenção diferenciada devido aos sintomas que apresentam e às dificuldades decorrentes, muitas vezes, do preconceito e do desconhecimento das pessoas sobre o transtorno.
As pessoas com transtorno bipolar muitas vezes enfrentam grandes desafios em seus locais de trabalho, como o preconceito direcionado a elas. Além disso, é difícil equilibrar o humor com uma vida de trabalho, pois empregos que permitem esse equilíbrio não são fáceis de encontrar, mas existem ou podem ser adaptados.
O humor alterado acaba comprometendo a rotina do indivíduo, influenciando na maneira como ele realiza suas atividades em casa e no trabalho. Dependendo da alteração no humor, o ritmo de trabalho pode ser mais intenso ou se tornar lento.
De acordo com Miklowitz (2009), na maioria das pessoas o humor influenciará seu desempenho no trabalho. O ciclo de privação de sono que leva a irritabilidade, letargia e depressão podem ser identificados em qualquer pessoa, entretanto, esse ciclo é potencializado no transtorno bipolar. Dessa forma, a intensidade do humor pode afetar de maneira exacerbada o desempenho no trabalho mais do que seria para uma pessoa sem o transtorno.
Os sintomas bipolares são expressos no ambiente de trabalho de várias formas, podendo variar de indivíduo para indivíduo e dependem do pólo de mania ou de depressão em que a pessoa se encontra. Sobre isso, Miklowitz (2009, p.263-264) refere que:
Reações de mania ou hipomania podem se manifestar como a falta de controle com coisas que normalmente não o incomodariam, ou a preocupação com tantas idéias que a concentração no trabalho se torna difícil. O paciente pode iniciar mais projetos do que talvez consiga completar, pulando de um para outro sem realizar o que se propôs a fazer originalmente. Durante os intervalos de hipomania, o paciente pode estar particularmente inclinado a discussões com colegas de trabalho ou confrontos com seu chefe.
Por outro lado, na fase depressiva, o pensamento e a resposta física podem estar mais lentos, assim, digitar um trabalho ou realizar atividades que exijam destreza podem se tornar demoradas demais. Além disso, a pessoa pode apresentar-se muito ansiosa, o que poderá interferir em sua concentração.
Segundo Miklowitz (2009), a medicação utilizada de forma regular é crucial para manter um humor estável e essencial para que a pessoa funcione bem no trabalho. O fundamental é encontrar a estabilidade na carga horária, níveis de estresse e satisfação com o trabalho.
Além da medicação, o suporte oferecido por um profissional qualificado muito contribui no bem-estar da pessoa com transtorno bipolar em seu local de trabalho. Nesse sentido, destaca-se o terapeuta ocupacional como um profissional que pode atuar na inclusão dessas pessoas em empresas.
O acompanhamento terapêutico ocupacional junto à pessoa com transtorno bipolar nas empresas tem por objetivos: verificar o cargo mais adequado ao perfil da pessoa, realizar possíveis adaptações no ambiente de trabalho seja em seu ritmo ou intensidade, observar o nível de estresse a que é submetido o trabalhador e promover melhor qualidade na execução das tarefas pelo trabalhador.
O terapeuta ocupacional pode propor pausas regulares aos trabalhadores realizando atividades que promovam relaxamento, favoreçam a expressão de suas necessidades, a descoberta de habilidades, melhora da auto-estima e auto-conhecimento. Este último permite com que a pessoa perceba de que maneira seus sintomas estão se manifestando na rotina de trabalho e possam criar alternativas para controlá-los. Nesse sentido, Miklowitz (2009, p.264) comenta que:
(...) pessoas com transtorno bipolar são capazes de se beneficiar da hipomania no ambiente de trabalho se forem capazes de aproveitá-la. Isso inclui aprender a reconhecer quando estão se movendo ou falando rápido demais, estabelecendo limites quando o trabalho começa a torná-lo excessivamente voltado para a realização de metas, tentando realizar apenas uma tarefa por vez, aceitando feedback dos outros sobre a clareza de sua comunicação e recuando quando as pessoas parecem estar reagindo à sua intensidade. De fato, pode ser possível traduzir uma maior energia em produtividade no trabalho, mas também deve-se ter cuidado quando for preciso ir mais devagar e fazer um intervalo.
São escassas as literaturas de pesquisas sobre quais tipos de profissões são mais adequadas às pessoas com transtorno bipolar. Há indícios de que horários de trabalho regular e previsíveis são melhores do que em cargos que exijam mudança de horário, pois diminuem as chances de estresse.
Segundo Miklowitz (2009), pessoas com transtorno de humor devem evitar atividades em que precisem viajar freqüentemente ou ter interações intensamente estressantes com os outros, como no caso de emergência hospitalar. Empregos em restaurantes e hospitais, freqüentemente, exigem turnos variáveis, mas a pessoa não precisa deixar de trabalhar nesses locais caso tenha interesse pelos mesmos.
O papel principal do terapeuta ocupacional junto à pessoa com transtorno bipolar, em seu local de trabalho, é realizar estratégias que possibilitem ao trabalhador executar suas funções de forma autônoma e independente, tornando-se participativo socialmente.

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